domingo, 10 de abril de 2011

50 anos do homem no espaço – Em 1961, a viagem de Iuri Gagarin pela órbita terrestre marcou o início da conquista do espaço pela humanidade

No próximo dia 12 de abril fará exatos 50 anos que um major da força Aérea Soviética, Yuri Alekseievitch Gagarin, à época com 27 anos, realizou a primeira viagem espacial. A bordo da nave Vostok I, Yuri completou uma volta ao redor da Terra, num vôo de uma hora e 48 minutos.

Aquele ano poderia estar guardado na memória de todos devido ao início das obras do Muro de Berlim. Ou por causa da invenção de Sapecewar, o primeiro jogo de computador, criado nos Estados Unidos. Ou ainda graças à atriz Audrey Hepburn, que fez plateias do mundo todo tomarem café da manhã na joalheria Tiffany’s, no filme Bonequinha de luxo. De fato, ele ainda é lembrado por tudo isso, mas é uma frase — que na época uniu cidadãos de todo o planeta — a grande responsável por transformar 1961 em um dos anos cruciais para a história da humanidade: “A Terra é azul”.

Dita pelo astronauta soviético Iuri Gagarin, a afirmação marcou a chegada do homem ao espaço. Foi pronunciada em 12 de abril, quando o integrante da primeira missão tripulada que atingiu a órbita terrestre olhou pela janela e constatou que vivemos em uma imensa bola da cor do mar. Nesta semana, com uma série de sete reportagens, o Correio reconta os 50 anos da conquista espacial.


Muito antes do feito de Gagarin, os olhos e o interesse dos homens já se voltavam para o cosmos. O céu é a morada de Deus? A Terra é o centro do Universo? Essas foram algumas das perguntas que ocuparam pensadores do passado. Em 1543, porém, a abordagem científica da astronomia ganhou força com o físico polonês Nicolau Copérnico, que afirmou que o centro do Universo era o Sol, não a Terra. “Apesar de ter ocorrido há quase quatro séculos, a mudança de perspectiva trazida pela teoria de Copérnico nos deixou mais próximos do cosmos. A Terra tornou-se um planeta como os demais”, explica o professor de astrofísica do Dartmouth College, nos Estados Unidos, Marcelo Gleiser.


Foi o pensamento revolucionário de homens como Copérnico que pavimentou o caminho para a missão da nave Vostok-1, que levou Gagarin ao espaço sideral. O feito, celebrado no mundo inteiro, foi resultado de um projeto iniciado em 1956, quando a extinta União Soviética criou a Sociedade de Estudos da Viagem Interplanetária, início do programa espacial do país comunista. Um ano depois, os soviéticos enviariam o primeiro ser vivo terrestre ao espaço, a cadela Laika, a bordo da Sputnik II. Outros testes, como o lançamento de uma sonda que pousou na Lua, seriam realizados antes de Gagarin ser enviado para a arriscada missão.


“Um jovem piloto voou em um veículo espacial nunca antes testado com confiabilidade e em um ambiente sem ar. Ninguém, em 1961, poderia fornecer 100% de garantia que o jovem russo voltaria à Terra. Por isso, a missão de Gagarin representa um ato heroico”, avalia Alexey Korosteliov, chefe de Cooperação Internacional da Roscosmos, a agência espacial russa. De fato, o russo quase morreu durante a viagem, sendo obrigado a ejetar-se da nave depois que ela explodiu
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Fruto do desejo de chegar cada vez mais longe, o voo da Vostok-1 influenciou toda uma geração. “Gagarin foi meu primeiro ídolo. Eu era criança quando ele foi para o espaço, e o seu feito influenciou a minha maneira de ver o mundo, e o meu desejo de poder contribuir para a exploração espacial”, lembra Carlos Ganem, hoje presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB). Mais do que uma simples conquista científica, o feito do soviético redirecionou a humanidade. E acirrou a competição entre União Soviética e EUA, que, oito anos mais tarde, levariam o homem à Lua.
 
 

 
Fonte: http://www.correioweb.com.br
 

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