sábado, 23 de outubro de 2010

Superbactéria é alerta para hospitais do país

A superbactéria KPC (Klebsiella pneumoniae carbapenemase), que pode ter causado 18 mortes no Distrito Federal neste ano, já circula por UTIs de grandes hospitais de São Paulo desde 2008.
A situação preocupa porque não há antibiótico capaz de contê-la. Ao mesmo tempo, ela encontra terreno fértil para a proliferação nos hospitais por falta de higiene. O alerta é de Artur Timerman, 57, um dos infectologistas mais conceituados no país. "Se você vai a qualquer um dos grandes hospitais de São Paulo, público ou privado, vai ver que o índice de lavagem de mãos não chega a 40%", diz o chefe do serviço de controle de infecções hospitalares do hospital Edmundo Vasconcelos.
No Brasil, os primeiros registros de KPC são de 2005, em São Paulo. Há casos no Paraná, Rio, Recife, João Pessoa, Vitória e Rio Grande do Sul. Nos EUA, o problema é endêmico em várias regiões. 

Ministro da Saúde relaciona superbactéria a alto consumo de antibióticos

 O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta terça-feira que o país precisa controlar de forma mais efetiva o uso de antibióticos, pois o alto consumo desse tipo de medicamento está relacionado ao surto de superbactéria. No Distrito Federal, 15 mortes podem ter sido provocadas pela bactéria KPC (Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase), um organismo super-resistente a antibióticos.

"Infelizmente, no Brasil, nós ainda temos o uso indiscriminado de antibióticos", alertou Temporão. "O alto consumo, o consumo irresponsável e a má prescrição é que levam a situações como essa", completou.
Segundo o ministro, também é necessário avaliar as dinâmicas internas dos hospitais, que podem ter levado a falhas no processo de controle de infecção hospitalar. Temporão adiantou que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está concluindo uma nova regulamentação, determinando que o acesso a antibióticos nas farmácias só vai poder se dar por receita médica.
Especialistas de vários países vem acompanhado surtos de infecção hospitalar por conta da bactéria KPC. No Brasil, esta é a primeira vez que é registrado um surto. Há tratamento, mas os pacientes precisam ser submetidos a antibióticos mais fortes e mais caros.
O número de pacientes portadores da chamada superbactéria já está em 135 no Distrito Federal, considerando os casos suspeitos e os confirmados, de acordo com a Secretaria de Saúde do DF.
A transmissão acontece principalmente por conta da pouca higienização das mãos e pode ocorrer quando um paciente em estado grave é transportado de um hospital para o outro, por exemplo. 

Com superbactéria, Anvisa deve mudar regra para evitar venda de antibiótico sem receita

 O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta terça-feira que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) está concluindo uma regulamentação para evitar a venda de antibióticos sem receita médica.  As mudanças serão feitas para coibir o uso indiscriminado de antibióticos, que leva à população a ficar mais resistente ao medicamento, fazendo com que o organismo não reaja tão bem no caso de infecções mais graves. Para Temporão, esse pode ter sido o motivo para o surgimento da superbactéria KPC, cujo número de casos no Distrito Federal chega a 135.

Além disso, o ministro acredita que tenha havido falhas no processo de controle de infecção hospitalar. "Infelizmente, no Brasil, ainda temos uso indiscriminado de antibióticos. A Anvisa está concluindo uma nova regulamentação com a indicação de acesso a antibióticos nas farmácias que só poderá ser dado por meio de receita médica. A má prescrição é que leva a situações como essa. Claro que temos que avaliar também aspectos internos da dinâmica dos hospitais que podem ter levado a falhas do processo de controle de infecção hospitalar", disse.
Em junho, a Anvisa abriu consulta pública sobre as mudanças nas regras para a venda de antibióticos para aumentar a fiscalização sobre esses produtos. Hoje, o paciente precisa apenas de uma receita simples para comprar a medicação, mas muitas farmácias ignoram essa exigência e vendem o produto sem prescrição médica.
Até segunda (18), o número de casos de contaminação pela bactéria Klebsiella Penumoniae Carbapenemase (KPC), no Distrito Federal, havia subido de 108 para 135. 




 Fonte: Folha de São Paulo - Saúde - Notícias

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.