sábado, 2 de outubro de 2010

Conversando sobre DROGAS...


Em todas as sociedades sempre existiram "drogas". Entendem-se assim produtos químicos ("psicotrópicos" ou "psicoativos"), de origem natural ou de laboratório, que produzem efeitos, sentidos como prazerosos, sobre o sistema nervoso central. Estes efeitos resultam em alterações na mente, no corpo e na conduta.
Na verdade, os homens sempre tentaram modificar o humor, as percepções e sensações por meio de substâncias psicoativas, com finalidades religiosas ou culturais, curativas, relaxantes ou simplesmente prazerosas.
Estudos têm demonstrado diferentes motivações para o uso de drogas: alívio da dor, busca de prazer e busca da transcendência são razões encontradas nos diversos grupos sociais ao longo da história.
Antigamente, tais usos fizeram parte de hábitos sociais e ajudaram a integrar as pessoas na comunidade, através de cerimônias, rituais e festividades. Hoje, tais costumes são esvaziados em conseqüência das grandes mudanças socioeconômicas. Características da modernidade, como a alta concentração urbana ou o poder dos meios de comunicação, modificaram profundamente as interações sociais. No decorrer desse processo o uso de drogas vem se intensificando.
Produtos antigos ou recentes, legais ou ilegais, conheceram novas formas de fabricação e comercialização, indo ao encontro de novas motivações e novas formas de procura. Hoje, diante da diversidade de produtos, é fundamental o conhecimento do padrão de consumo e efeitos das substâncias psicoativas, já que o uso e abuso de drogas representa uma questão social complexa.

OS FATORES DE RISCO PARA USO OU ABUSO DE DROGAS

Quanto aos fatores de risco relacionados ao abuso de drogas, eles são maiores para certas pessoas, em função das suas condições de vida. Assim, são mais inclinadas ao uso, as pessoas:
· sem informações adequadas sobre drogas e seus efeitos;
· com uma saúde deficiente;
· insatisfeitas com sua qualidade de vida;
· com problemas psicológicos que possam torná-las vulneráveis ao abuso de drogas;
· com fácil acesso a drogas.
 Problemas relacionados ao uso de drogas surgem, de fato, de um encontro entre três fatores       básicos. Operando juntos, eles provocam as rupturas acima mencionadas que podem levar à dependência. São eles:
· droga, o "produto" e seus efeitos;
· a pessoa, a personalidade e seus problemas pessoais;
· a sociedade, o contexto sócio-cultural e econômico, suas pressões e contradições.
O consumo de drogas não se deixa dissociar da procura de prazer: pode tornar-se problemático precisamente por ser prazeroso. Este prazer pode resultar de sensações de bem-estar, ou euforia ("barato"), de força, poder, leveza ou serenidade, ou ainda, da ausência de dor ou de memória.
A procura de bem-estar e prazer é natural, fazendo parte da vida de todos; o problema consiste em querer buscá-los usando drogas.

CONCEITOS
Dependência psíquica: é o desejo incontido “que requer administração prolongada da droga para obter prazer ou alívio de desconforto”. A pessoa fica obcecada em obter a droga, com objetivo de criar certo estado psíquico, mental ou psicomental ao qual se acostumou, apesar do conhecimento consciente que isso talvez esteja prejudicando alguns aspectos de sua vida.
Dependência física: é o estado caracterizado pelo aparecimento de sintomas físicos ou síndrome de abstinência, quando a administração da droga é suspensa. A administração repetida de uma droga cria um transtorno fisiológico no Sistema Nervoso Central (SNC) que exige continuidade de uso da droga para impedir uma enfermidade física característica conhecida como síndrome de abstinência.
Síndrome de abstinência: é um conjunto de sintomas e sinais desagradáveis, opostos aos produzidos pela droga, que surgem com baixo ou nulo teor da droga no sangue. Caracterizada por tremores, calafrios, dores abdominais fortes, náuseas e vômitos, podendo chegar a convulsões.
Tolerância: é a necessidade de progressivo aumento de dose para conseguir o mesmo efeito, chegando até a doses consideradas letais.
Escalada: chama-se escalada a passagem de um consumo ocasional a um uso intenso ou contínuo (escalada quantitativa), ou ainda a mudança de um uso de produtos "leves" para outros considerados "pesados" (escalada qualitativa). É importante assinalar que o produto psicoativo pode criar dependência, em função do modo de usar, do contexto e da personalidade. Assim, a evolução para a escalada não é nem automática nem irreversível.

TIPOS DE USUÁRIOS DE DROGAS

É útil distinguir vários tipos de usuários de drogas, segundo critérios científicos, para desfazer o preconceito de que todo usuário seja "viciado" ou "marginal". Assim, a UNESCO distingue quatro tipos:
- experimentador: limita-se a experimentar uma ou várias drogas, em geral por curiosidade, sem dar continuidade ao uso;
- usuário ocasional: utiliza uma ou várias substâncias, quando disponível ou em ambiente favorável, sem rupturas nas relações afetivas, sociais ou profissionais;
- usuário habitual ou "funcional": faz uso freqüente, ainda que controlado, mas já se observam sinais de rupturas;
- usuário dependente ou "disfuncional" (toxicômano, drogadito, dependente químico): vive pela droga e para a droga, descontroladamente, com rupturas em seus vínculos sociais, podendo haver marginalização e isolamento.
O uso de drogas, portanto, não leva automaticamente a estados de dependência. Passa-se ao abuso com a perda de controle sobre o uso, em conseqüência de certas dificuldades ou fatores de risco, que variam de pessoa para pessoa, do contexto social e familiar. A compreensão dessas dificuldades e dos fatores de risco é crucial na ajuda ao dependente de drogas.

EFEITOS DAS DROGAS NO ORGANISMO

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), “droga é toda substância que, administrada ao organismo, produz modificações em uma ou mais de suas funções.”
Drogas psicotrópicas ou psicoativas são aquelas que atuam sobre nosso Sistema Nervoso Central
(SNC), alterando de alguma maneira o nosso psiquismo. Mas estas alterações não são sempre no mesmo sentido e direção, dependem do tipo de droga que foi usada.
E quais são esses tipos?
Um primeiro grupo é aquele de drogas que diminuem a atividade do SNC, ou seja, deprimem o funcionamento do mesmo, fazendo a pessoa ficar “desligada”, “devagar”, desinteressada pelas coisas. Por isso estas drogas são chamadas de Depressores da Atividade do Sistema Nervoso Central ou psicolépticos.

Num segundo grupo, estão aquelas que atuam aumentando a atividade do SNC, ou seja, estimulando o funcionamento do mesmo, fazendo com que a pessoa fique “ligada”, “elétrica”, sem sono. Por isso essas drogas recebem a denominação de Estimulantes da Atividade do Sistema Nervoso Central ou psicoanalépticos, nooanalépticos, timolépticos.

Finalmente, há um terceiro grupo, constituído por aquelas drogas que agem modificando qualitativamente a atividade de nosso cérebro; não se trata, portanto, de mudanças quantitativas (que às vezes podem estar associadas), como de aumentar ou diminuir a atividade cerebral. Aqui a mudança é de qualidade! O SNC passa a funcionar fora de seu normal, e a pessoa fica com a mente perturbada. Por essa razão este terceiro grupo de drogas recebe o nome de Perturbadores da Atividade do Sistema Nervoso Central ou psicodélicos, psicoticomiméticos,alucinógenos, psicometamórficos.


As principais drogas psicotrópicas, e que são usadas de maneira abusiva, de acordo com a classificação mencionada aqui, estão relacionadas abaixo:

1. Depressores da Atividade do SNC (Sistema Nervoso Central):
· Álcool;
· Sedativos, tranqüilizantes e ansiolíticos: soníferos ou hipnóticos (drogas que promovem o sono): barbitúricos,alguns benzodiazepínicos; ansiolíticos (acalmam, inibem a ansiedade): benzodiazepínicos como, por exemplo,diazepam, lorazepam etc;
· Opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência), como morfina, heroína, codeína, ziperol, meperidina etc;
· Inalantes ou solventes ou voláteis (colas, tintas, removedores, lança-perfume etc);
· Ácido gama-hidroxi-butírico (GHB).

2. Estimulantes da Atividade do SNC:
· Fumo (tabaco);
· Esteróides anabolizantes;
· Anorexígenos (diminuem a fome). As principais drogas pertencentes a essa classificação são as anfetaminas. Ex.: dietilpropiona, fenproporex, inibex etc;
· Cocaína, crack, merla.

3. Perturbadores da Atividade do SNC:

a- de origem vegetal:
· Mescalina (do cacto mexicano);
· THC (da maconha e haxixe);
· Psilocibina (de certos cogumelos);
· Lírio ou trombeteira ou zabumba ou saia branca (anticolonérgicos naturais).

b- de origem sintética:
· LSD-25;
· Ectasy;
· Anticolinérgicos (Artame, Bentyl).





Fonte:www.biologia.bio.br e www.afh.bio – Profa. Ana Luísa

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