quinta-feira, 17 de junho de 2010

A vida secreta das trufas . Elas não apenas servem aos gourmets, mas desempenham papel essencial na saúde dos ecossistemas

Um Fungo Entre Nós
As trufas, assim como os cogumelos, são os frutos dos fungos. Esses órgãos carnudos, estruturas reprodutivas temporárias que produzem esporos, por fim germinarão, dando origem a novos descendentes. A diferença entre trufas e cogumelos é que os frutos das primeiras, repletos de esporos, se formam abaixo do solo e não acima. Tecnicamente, as trufas verdadeiras são os fungos que pertencem ao filo Ascomycota, vendidas como alimento. Porém há fungos parecidos com as trufas ou as “trufas falsas” do filo Basidiomycota que funcionam como as verdadeiras. Por causa dessas semelhanças, referimo-nos a todos os cogumelos carnudos que frutificam debaixo da terra como trufas. Os esforços científi cos para revelar os segredos das trufas datam do século 19, quando potenciais trufeiros pediram ao botânico Albert Bernhard Frank que descobrisse como essas iguarias se propagavam. Os estudos de Frank revelaram que os fungos crescem sobre e dentro das minúsculas raízes nutridoras usadas pelas árvores para absorver água e nutrientes do solo. Com base nessas observações, propôs que os organismos mantêm uma relação simbiótica, na qual cada um fornece nutrientes ao outro. Ele ainda postulou que essa relação entre fungos subterrâneos e plantas é generalizada e modela o crescimento e a saúde de muitas comunidades botânicas. As teorias de Frank contradiziam o senso comum sobre trufas e outros cogumelos, ou seja, que introduziriam doenças e podridão nas plantas – e atraíram considerável oposição de seus colegas. Porém, embora quase um século se passasse antes que os acadêmicos tivessem evidências definitivas, Frank estava certo. Todas as trufas e cogumelos produzem uma rede de filamentos, ou hifas, que crescem entre as raízes das plantas, formando um órgão compartilhado de absorção conhecido como micorrizas. Assim juntos,o fungo fornece nutrientes preciosos e água às plantas, e suas minúsculas hifas conseguem alcançar bolsões de solo inacessíveis às raízes muito maiores das plantas.
A planta, por sua vez, fornece à trufa associada açúcares e outros nutrientes sintetizados pela fotossíntese, produtos de que os fungos precisam, mas não conseguem processar sozinhos por não fazerem a fotossíntese. Essa parceria é tão benéfica que quase todas as árvores e outras plantas lenhosas necessitam dela para a sobrevivência, assim como os fungos associados. A maioria das plantas herbáceas (as que não têm um caule lenhoso acima do solo) forma também micorrizas, embora com fungos diferentes. Muitas espécies de fungos, inclusive as que produzem as trufas, formam uma variante de micorriza denominada ectomicorriza, na qual o fungo envolve as raízes nutridoras com um tecido externo protetor. A diversidade dessas ectomicorrizas de Basidiomycotas é impressionante: um dos autores (Trappe) estima que cerca de 2 mil espécies estejam associadas com a pseudotuga (conífera usada para madeira e árvores de Natal) e provavelmente com tantos ou mais tipos Os esforços científicos para revelar os segredos das trufas datam do século 19, quando potenciais trufeiros pediram ao botânico Albert Bernhard Frank que descobrisse como essas iguarias se propagavam.

Os estudos de Frank revelaram que os fungos crescem sobre e dentro das minúsculas raízes nutridoras usadas pelas árvores para absorver água e nutrientes do solo. Com base nessas observações, propôs que os organismos mantêm uma relação simbiótica, na qual
cada um fornece nutrientes ao outro. Ele ainda postulou que essa relação entre fungos subterrâneos e plantas é generalizada e modela o crescimento e a saúde de muitas comunidades botânicas. As teorias de Frank contradiziam o senso comum sobre trufas e outros cogumelos, ou seja, que introduziriam doenças e podridão nas plantas – e atraíram considerável oposição de seus colegas. Porém, embora quase um século se passasse antes que os acadêmicos tivessem evidências definitivas, Frank estava certo. Todas as trufas e cogumelos produzem uma rede de filamentos, ou hifas, que crescem entre as raízes das plantas, formando um órgão compartilhado de absorção conhecido como micorrizas. Assim juntos, de associações apenas nos eucaliptos australianos. Inúmeras outras espécies de árvores, importantes comercial e ecologicamente, também se apoiam nos fungos com ectomicorrizas. A maioria dos fungos frutifica acima do solo como cogumelos, mas milhares de espécies produzem trufas.
Quando um animal come uma trufa, a maior parte da polpa é digerida, mas os esporos passam inteiros e são defecados no chão, onde poderão germinar se as condições forem favoráveis. Esse sistema de dispersão apresenta vantagens sobre o empregado pelos cogumelos. As fezes concentram os esporos, em contraste ao espalhamento mais difuso que ocorre com a disseminação aérea. Além disso, há maior possibilidade de as fezes serem depositadas nos mesmos tipos de áreas onde os animais se alimentam de trufas, em oposição ao transporte mais aleatório de esporos levados pelo ar. Essa semelhança de ambiente é benéfi ca por aumentar a probabilidade de os esporos pararem num local que tenha espécies adequadas de plantas onde as micorrizas se estabelecem. No entanto, nem todas as trufas se apoiam no perfume para atrair animais. 
 Fonte: Scientific American Brasil

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