quinta-feira, 17 de junho de 2010

Como as bactérias ficam resistentes aos antibióticos?


Antibióticos são compostos que: 
  1. Matam as bactérias diretamente (bactericidas).
  2. Bloqueiam sua capacidade de crescer e de se reproduzir (bacteriostáticos).
Quando você está em luta contra uma infecção bacteriana, o seu sistema imunológico pode ser vencido pelos invasores. Os antibióticos são inseridos na batalha para montar uma defesa contra os invasores até que o sistema imunológico possa se recuperar e acabar com as bactérias remanescentes.
Como os antibióticos evitam o crescimento bacteriano? Os antibióticos detêm ou interferem com uma variedade de processos celulares diários dos quais as bactérias dependem para crescimento e sobrevivência.   
  • Alterações da parede celular bacteriana que protege a célula do ambiente externo.
  • Interferência na síntese de proteínas.
  • Alteração dos processos metabólicos, como as sínteses do ácido fólico, uma vitamina B fundamental para as bactérias.
  • Bloqueio da síntese de DNA e RNA.
Os antibióticos param de funcionar porque as bactérias encontram várias formas de se contrapor essas ações. 
  • Prevenir o antibiótico de atingir o seu alvo: as bactérias empregam estratégias para manter os antibióticos longe. Uma forma efetiva de impedir um antibiótico de alcançar o seu objetivo é impedir que ela seja absorvida. As bactérias fazem isso alterando a permeabilidade de suas membranas ou reduzindo o número de canais disponíveis para as drogas se difundirem. Outra estratégia é criar o equivalente molecular a um leão-de-chácara, para escoltar os antibióticos até a porta se eles entrarem. Algumas bactérias usam energia do ATP para bombear os antibióticos para fora da célula.
     
  • Mudança de alvo: muitos antibióticos funcionam pela aderência ao seu alvo, prevenindo-o de interagir com outras moléculas dentro da célula. Algumas bactérias respondem alterando a estrutura do alvo (ou até substituindo-o dentro de uma outra molécula) de modo que o antibiótico não possa mais reconhecê-lo ou se ligar a ele.
     
  • Destruição do antibiótico: essa tática é radical. Ao invés de simplesmente ignorar a droga ou montar bloqueios moleculares, algumas bactérias sobrevivem neutralizando seus inimigos diretamente. Por exemplo, alguns tipos de bactérias produzem enzimas chamadas beta-lactamases que destroem a penicilina.
Como as bactérias adquirem esses hábitos para lutar contra os antibióticos? Em alguns casos, elas não os adquirem. Algumas bactérias simplesmente fazem uso de suas próprias capacidades inerentes. Entretanto, existem muitas bactérias que não desenvolveram resistência a um antibiótico em particular. As bactérias podem adquirir resistência obtendo uma cópia da codificação de um gene de uma proteína modificada ou de uma enzima como a beta-lactamase de outra bactéria, mesmo daquelas de espécies diferentes. Existem várias formas de obter um gene resistente.  
  • Durante a transformação - nesse processo, semelhante ao sexo bacteriano, os micróbios podem se unir e transferir DNA uns para os outros.
  • Transferência de um fragmento pequeno, circular e extracromossomial de DNA, chamado plasmídeo - um plasmídeo pode codificar a resistência a muitos antibióticos diferentes.
  • Através de um transposon - os transposons são “genes de transposição”, pequenos segmentos de DNA que podem pular de molécula de DNA para outra. Uma vez que eles passam a fazer parte de um cromossomo ou de um plasmídeo, eles ficam integrados de forma estável.
  • Pela varredura dos remanescentes de DNA de bactérias degradadas ou mortas.
Infelizmente, se uma bactéria insere um gene resistente em seu DNA cromossômico ou o obtém em um plasmídeo, toda a sua descendência herdará o gene e a resistência que eles conferem. Por que os genes resistentes persistem e se espalham nas populações bacterianas? É basicamente a idéia de Darwin da sobrevivência dos mais adaptados, reduzida a nível microscópico - as bactérias com esses genes sobrevivem e superam as variantes suscetíveis ao antibiótico. E o nosso uso nada prudente de antibióticos seleciona esses tipos resistentes. Veja a seguir como nós contribuímos para o problema.  
  • Ignorando as receitas coloridas no frasco de comprimidos e os alertas do médico para que você tome todo o medicamento, mesmo que comece a se sentir melhor. Se você parar de tomar o seu medicamento muito cedo, o seu sistema imunológico pode não ser capaz de matar as bactérias remanescentes, e qualquer bactéria resistente deixada ilesa será capaz de proliferar e se espalhar para outras pessoas.

     
  • Insistindo em tomar antibióticos para tratar um resfriado ou uma gripe. Os antibióticos são completamente ineficientes contra vírus, de modo que não adianta usá-los nesses casos. Ainda pior, os antibióticos não conseguem distinguir entre as bactérias que são boas para nós e as bactérias que causam doenças. Apesar da nossa preocupação com limpeza, nós convivemos com uma enorme variedade de bactérias todos os dias. Por exemplo, os nossos intestinos são revestidos com bactérias que fragmentam os alimentos que não podemos digerir. Toda vez que você toma antibióticos, você mata algumas dessas bactérias benéficas. Usar antibióticos indiscriminadamente pode eliminar a maior parte das bactérias que existem normalmente em nosso corpo, abrindo a porta para que variantes mais sinistras se estabeleçam em seu lugar.

     
  • Empilhando sobras de antibióticos e automedicação - nem todo antibiótico funcionará para toda infecção. O seu médico prescreve uma droga específica para você baseado no tipo de infecção que você tem. Ele também seleciona dosagem e duração específicas para o seu tratamento. Um antibiótico usado para tratar uma doença prévia pode não funcionar contra a infecção que você tem agora, por isso é melhor procurar o aconselhamento médico antes de tentar se auto-medicar. 
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    Fonte : HSW

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