domingo, 11 de abril de 2010

O RISCO DOS REFRIGERANTES


 Quando eu era criança, a principal objeção dos pais em relação ao açúcar era que ele fazia mal aos dentes. Embora dentes estragados não sejam uma boa ideia, eles estão longe de ser uma ameaça à vida como hoje sabemos que são os riscos do consumo excessivo de açúcar, especialmente na forma líquida. Os riscos mais sérios são a diabete tipo 2 e as doenças do coração, tanto como uma conseqüência direta do peso extra quanto, no caso da doença cardíaca, como um risco independente.

Um estudo de Harvard que acompanhou 88 mil mulheres durante 24 anos descobriu que, independentemente do peso corporal, o risco de desenvolver doenças cardíacas era 20% maior entre aquelas que tomavam pelo menos duas bebidas açucaradas por dia, do que entre as que bebiam menos de uma bebida açucarada por mês. Dos 4 mil homens e mulheres que participaram do Framingham Heart Study durante quatro anos, os que bebiam pelo menos uma bebida açucarada (comparados àquelas que bebiam menos) tinham um risco 44% maior de desenvolver síndrome metabólica, um precursor da doença cardíaca. Aqui também o prejuízo à saúde independe do peso da pessoa.

A frutose, que representa metade do açúcar presente nos refrigerantes e outras bebidas adoçadas com xarope milho rico em frutose, aumenta os níveis de triglicérides depois das refeições e também promove um ganho de gordura abdominal, ambos fatores da síndrome metabólica.

Ainda assim, a maioria dos norte-americanos se preocupa mais com seu peso do que com os riscos à sua saúde a longo prazo. Estudos atrás de estudos mostraram que, assim como as cobaias, as pessoas não compensam o excesso de calorias líquidas comendo menos alimentos. Bebidas açucaradas não saciam o apetite, talvez porque sejam metabolizadas muito rapidamente.

Em outro estudo de Harvard que acompanhou 51 mil mulheres durante quatro anos, aquelas que aumentaram seu consumo de refrigerante de um por semana para pelo menos um por dia, ganharam mais peso. Como conseqüência, elas também passaram a ter quase o dobro do risco de desenvolver diabete do tipo 2.

A frutose nos refrigerantes pode até fazer com que as pessoas comam mais do que o necessário por causa de seu efeito sobre o hormônio leptina, que sinaliza ao cérebro que você está satisfeito. Nos estudos com animais, o alto consumo de frutose durante um período de meses resultou em resistência ao sinal da leptina. Um estudo preliminar em homens e mulheres obesos e com peso regular indicou que o mesmo acontece com os seres humanos.

Num artigo do “The New England Journal of Medicine” publicado no ano passado, Kelly D. Brownell, professor em Yale, e o doutor Thomas R. Frieden, diretor dos Centros para Controle e Prevenção de Doenças, escreveu: “As bebidas açucaradas são divulgadas extensivamente para crianças e adolescentes, e em meados dos anos 90, o consumo de bebidas açucaradas pelas crianças ultrapassou o consumo de leite. Para cada lata ou copo de bebida açucarada consumida a mais por dia, a probabilidade de uma criança se tornar obesa aumenta 60%.”

Nenhum nutricionista lista os refrigerantes como um ingrediente desejável numa dieta. Eles não são alimento, nem uma necessidade básica. Na verdade, as pessoas que mais se beneficiarão com um imposto sobre os refrigerantes, que desencoraje seu consumo, são provavelmente aquelas que têm mais dificuldades financeiras. Elas são as mais prejudicadas ao gastar o pouco dinheiro que têm em calorias vazias que prejudicam sua saúde.
 
 
 
 
 





Fonte: http://noticias.uol.com.br/midiaglobal

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário.